Como organizar o seu estudo de guitarra e acelerar o aprendizado

By Alex Martinho | Aulas de Guitarra

fev 08

 

Já tive milhares de alunos de guitarra ao longo de décadas como professor e uma das dúvidas mais frequentes é sobre como organizar o estudo, como otimizar o tempo disponível para evoluir ao máximo no aprendizado do instrumento.

Eu desenvolvi uma metodologia de organização própria que deu muito certo e me fez evoluir de uma maneira muito rápida. Passo essa organização também para os meus alunos e muitos já se beneficiaram dela.

Hoje trago essa organização resumida para todos vocês, abaixo!

É simples: você vai dividir o seu tempo de estudo em três grandes blocos. Para facilitar, vamos imaginar que você tenha três horas para estudar – nesse caso, estudará cada uma das três partes por uma hora.

A primeira parte é o estudo da TÉCNICA. Você vai pegar cada frase, cada lick, cada arpejo, enfim tudo o que precisar melhorar em termos de execução no instrumento para estudar nessa parte. O objetivo sempre é tocar de maneira limpa, com cada nota tocada soando sozinha e de maneira clara (sem ruídos causados por esbarrões em cordas adjacentes). Além disso, no caso da palhetada ela deve estar perfeitamente sincronizada com cada nota.

Tocar com velocidade deve ser um objetivo secundário – apenas quando você já estiver tocando perfeitamente sincronizado e limpo de maneira lenta é que vai subindo gradativamente, dia a dia, um pouquinho na velocidade, sempre tendo essa limpeza e clareza na execução das notas como seu limite.

Para esse controle da velocidade é FUNDAMENTAL você estudar sempre com um METRÔNOMO! Para quem não conhece, é um aparelho no qual você insere um tempo ou batimento específico e ele emite sons constantes na velocidade que você colocou, para ser uma referência de andamento durante seus estudos. A unidade de medida que o metrônomo usa é chamada BPM ou “batidas por minuto”. Por exemplo, se você colocar o metrônomo configurado em 60 BPM ele tocará um determinado som sessenta vezes durante cada minuto, ou seja nesse caso equivalerá aos segundos. Já um andamento de 100 BPM será bem mais rápido pois tocará um som cem vezes durante cada minuto, e por aí vai.

Há diversas opções de metrônomos gratuitos para computadores ou smartphones, baixe e confira!

Você vai então, com o metrônomo ligado, treinar em uma velocidade bastante confortável tudo o que precisar, sempre de forma na qual as notas soem todas bem claras e limpas e com cada palhetada perfeitamente sincronizada com cada nota. E, dia a dia, vai tentar subir bem gradualmente (tipo um ponto no metrônomo por vez) sempre tendo como seu limite de velocidade a clareza e a limpeza das notas.

A minha especialidade é a guitarra-rock, e assim a divisão que eu sempre me utilizei para essa primeira parte (técnica) do estudo é resumidamente a seguinte:

Parte 1 – Técnica

  • Exercícios de palhetada
  • Intervalos no braço
  • Sequencias melódicas (padrões) nas escalas Pentatônica e Diatônica
  • Licks e Frases (trazidos da parte 2 do estudo, abaixo)
  • Arpejos e Sweep Picking
  • Ligados (e tapping)
  • Acordes, ritmos e levadas diversas

 

Vamos agora para a parte 2 do estudo. Nessa parte o seu objetivo é ganhar vocabulário musical, aumentar a quantidade de idéias, frases e licks de seu repertório para utilizar tudo em seus improvisos e composições.

Você deve ver o aprendizado de guitarra (e de qualquer outro instrumento musical) assim como vê um aprendizado de línguas. Não basta saber as letras do alfabeto para falar uma língua estrangeira – por exemplo, espanhol ou inglês contêm em seu alfabeto exatamente as mesmas letras que temos no português e nem assim saberíamos falar essas outras línguas apenas usando o alfabeto aleatoriamente.

Imagine que as letras da linguagem falada seriam equivalentes as notas na linguagem musical. Podemos saber todas as notas de uma escala e ainda assim não conseguir tocar nenhuma frase musical com sentido!

O caminho para aprender a maneira correta de usar e pronunciar as palavras, no inglês por exemplo, seria repetindo frases de pessoas fluentes na língua e se possível manter conversações com essas pessoas. Na música é o mesmo caminho! Para aprendermos a tocar frases realmente musicais, com sentido, devemos nos inspirar em quem já domina a linguagem musical, copiando ao máximo boas frases desses e assim pegando exemplos com os quais iremos conseguir aos poucos criar as nossas próprias frases.

Trago então um resumo do que você vai fazer na parte 2 do estudo:

Parte 2 – Tirar músicas / ganhar vocabulário musical

  • Separar músicas dentro do seu nível de aprendizado atual para tirar trechos. Pode usar só o ouvido, ou ainda outros recursos como tablaturas, partituras, vídeo aulas, métodos, livros, etc..
  • Anotar todas as idéias tiradas das músicas e também as criadas por você a partir do estudo (e ir assim aumentando seu vocabulário musical).
  • Separar as partes mais difíceis das músicas para passar a treina-las na parte técnica (parte 1 acima), diariamente.

 

Finalmente chegamos na parte 3, última mas não menos importante! Essa é a parte na qual você vai tentar fazer música com tudo o que está treinando na parte 1 e tudo o que está aprendendo na parte 2.

O improviso também é “treinável”, embora a palavra no literal indique que não. No início de meus estudos eu achava que “improvisar” seria meramente pegar as notas de uma escala e ficar para cima e para baixo, aleatoriamente, tocando-as.

Com a experiência percebi que para tocar improvisos realmente bons eu deveria treinar bastante em casa, pegando separadamente cada frase, cada lick que eu conhecia e estudando a melhor forma de encaixa-los nos solos, me baseando e inspirando por solos de guitarristas já consagrados.

Resumindo:

Parte 3 – Tocar sobre playbacks/backing tracks diversos

  • Se obrigar a tentar encaixar cada elemento estudado acima (licks, frases, sequências, arpejos, etc) sobre playbacks diversos. Tentar fazer música com os elementos estudados na técnica (parte 1 acima) e os tirados de outros guitarristas (parte 2 acima).

 

E a parte teórica do estudo, onde entra nisso tudo? Teoria e Harmonia devem ser estudados a parte, e cada assunto teórico deve – após a devida compreensão do aluno “no papel” – ser testado também na prática, na parte 3 do estudo.

Eu ofereço um curso online de Teoria e Harmonia com tudo o que você precisa saber para se tornar um músico completo, conheça-o e se decidir ser meu aluno nesse curso terá meu suporte total no aprendizado!

Tenho também uma apostila básica de Teoria e Harmonia, gratuita, que você pode baixar aqui.

Um ótimo estudo sempre e até a próxima!

 

Sobre o autor

Alex se formou com “honors” (méritos) pelo renomado Musicians Institute da California (EUA) em 1992. Já teve milhares de alunos ao longo de mais de 25 anos ensinando música, e em 2008 fundou sua própria escola, a Música Moderna, hoje uma das mais importantes do RJ. É um dos músicos mais conceituados do Brasil, com uma carreira de sucesso que inclui 5 CDs e 3 DVDs lançados, inúmeras colaborações em revistas especializadas (incluindo matérias e fotos de capa), já acompanhou artistas por todo o país e tem apoio de grandes marcas de equipamentos como Tagima, NIG, Santo Angelo, Albion e Sergio Rosar. É autor de "Teoria e Harmonia em 11 Aulas", um curso online completo para alunos de todos os instrumentos do nível iniciante ao intermediário.

Receba material didático de Alex gratuitamente!